Sexta-feira, 17 de Maio de 2013
A próxima sessão de milplanaltos é já na próxima terça, 21 de Maio.
Carlota Simões apresenta 'O número de ouro. De Camões a Almada Negreiros'.
Contamos com a vossa presença no Museu da Ciência, às 16 horas.
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2013
A CIÊNCIA LUSA
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Carlos Fiolhais
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HISTÓRIA DA CIÊNCIA NA UNIVERSIDADE DE COIMBRA
Tem aumentado muito o interesse entre nós pela história da ciência, em particular a história da ciência em Portugal e, dentro desta, pelo papel essencial desempenhado pela Universidade de Coimbra. Em Coimbra esse interesse é ampliado pela candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial, cujo resultado vai ser conhecido em Junho.
O Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra submeteu com êxito um projecto sobre este tema que tem produzido abundantes frutos. Com efeito, meia centena de investigadores das Universidades de Aveiro, Coimbra e Évora têm trabalhado desde 2000 no projecto História da Ciência na Universidade de Coimbra (1547-1933), que beneficia do apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. No âmbito desse projecto, procedeu-se à recolha de fontes documentais sobre o tema em causa. Foi efectuada nos ricos acervos das bibliotecas e arquivos de Coimbra uma selecção de fontes históricas a digitalizar, tendo sido contratada uma bolseira que ficou a trabalhar na Biblioteca Geral. Os documentos digitalizados foram colocados no sítio http://almamater.uc.pt (Repositório de Fundo Antigo da Universidade de Coimbra), onde estão acessíveis a todos. Por outro lado fez-se uma selecção de peças das colecções do Museu da Ciência para inventariar e fotografar, tendo sido contratada uma segunda bolseira que ficou a trabalhar no Museu de Ciência. As imagens foram colocadas no sítio Museu Digital.
Dois encontros internacionais foram realizados no quadro do projecto. Teve lugar em 2010, na Biblioteca Joanina um Colóquio e uma Exposição sob o tema Membros Portugueses da Royal Society organizado em colaboração com a Royal Society, que deu origem a um livro bilingue com esse mesmo título. E, em 2011, ocorreu em Coimbra o Congresso Internacional de História da Ciência. Participaram cerca de 200 investigadores de Portugal e do Brasil, tendo sido publicadas actas em formato electrónico.
O congresso foi um êxito pela oportunidade que constituiu de divulgar estudos recentes assim como pelo encontro de historiadores da ciência dos dois lados do Atlântico. Um livro contendo as comunicações principais vai aparecer em breve do prelo da Imprensa da Universidade de Coimbra: História da Ciência Luso-Brasileira: Coimbra entre Portugal e o Brasil. Ainda no domínio da edição, foram publicados em 2010 o livro Breve História da Ciência em Portugal, a primeira síntese em livro da história da ciência nacional, e o catálogo Ver a República referente a uma exposição realizada na Biblioteca Geral, no Museu da Ciência e no Museu Nacional Machado de Castro sobre o centenário da República, e foram concluídas várias teses doutorais. Para além disso, foram publicados numerosos trabalhos de investigação em revistas internacionais e nacionais. A página Web do projecto encontra-se aqui, podendo lá ler-se algumas sínteses históricos sobre vários aspectos da história da Universidade de Coimbra, algumas das quais vão também sair em breve num volume intitulado História da Ciência na Universidade de Coimbra.
Relacionado com o trabalho realizado neste projecto, foi aprovado um novo programa doutoral em História das Ciências e Educação Científica, organizado em conjunto pelas Universidades de Aveiro e Coimbra. Agora todos os interessados em aprofundar estudos sobre história da ciência têm mais uma possibilidade para o fazer.
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Carlos Fiolhais
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"Do meu lavrar na areia..."
S. Bababoião, Anacoreta e Mártir, romance de Aquilino Ribeiro, dado à estampa em 1937, foi dedicado ao amigo advogado, que declara muito estimar, José Gomes Mota. É a ele que se dirige para explicar que, nesta obra, decorrente de "imaginária pura", quis dar, muito modestamente, sem intelectualismos filosóficos, metafísicos ou outros, voz a uma preocupação que, por ser tão simples deve ser tratada de modo simples. "A minha preocupação foi dar o conflito do espiritual e do humano de modo concreto, qual deles por baixo, qual deles por cima". E assim, no seu "lavrar na areia", o fez...
"Leva que leva por atalhos e caminhos esgarrados, daqueles em que os santos soltavam palavrões e as cabras rompiam o casco, veio-lhes vontade de comer. Beltrasanas, instruído nas produções da pródiga natureza, pôs-se à busca de pútegas, que se estava na sazão. esta planta é a parasita dos sargaços , consistindo a sua frutescência em gomos leitosos, ordenados em pinha, dum vermelho, de ananás maduro, emergindo da terra o que basta para se dar a perceber a sua coroa radiosa. Os pastores espremem-nos entre as polpas dos dedos e com regalo lhe chupam a massa tenra, levemente acidulada. Com o fruto desta planta e de panaqueijas que, em despeito da haste fina, delicada como alfinetes, deitam tubérculos brancos, maiores que ovos de tanjasno, restauraram as forças e puseram-se novamente a caminho, mais além."
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Helena Damião
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Andar nas nuvens para sempre...
A propósito, em boa hora, os jornalistas Mário David Campos e Luís Ribeiro perguntam: Qual a fronteira entre a vida pessoal e a vida profissional?
E especificam: Num mundo cada vez mais online (...) que ética deve seguir um funcionário, mesmo fora do horário de trabalho? Como se defende um dos valores fundamentais de uma sociedade democrática (...) a liberdade de expressão? Como ter um perfil (mesmo) privado?
A terminar, lembram aquilo que todos os utilizadores da internet deveriam saber:
Depois de cair na rede é quase impossível sair de lá. E mesmo que feche o perfil, os seus dados vão andar na "nuvem" para sempre. Por isso tome algumas precauções:
- Tenha atenção às definições de privacidade. Isso não o protege daquilo que comenta nas páginas de outros mas dá-lhe mais garantias na sua página;
- Um dos truques para evitar problemas com colegas de trabalho (ou com os chefes) é organizá-los em listas, colocando-os como conhecidos e não como amigos. Assim, se lhe sair um desabafo menos agradável sobre o chefe, ele não o lê;
- Adicione apenas pessoas que conheça e não amigos de amigos;
- Tenha cuidado com o que escreve e com as fotografias que coloca, inclusive a de perfil. Mesmo que retire o que lá colocou, a informação pode já ter sido partilhada;
- Reveja as definições periodicamente. Quando surgem novas funcionalidades, por vezes sofrem alterações.
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Helena Damião
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Quarta-feira, 15 de Maio de 2013
FameLab 2013
Quem será o representante português na final internacional do Famelab 2013?
Dez candidatos disputam a final do Famelab Portugal no próximo domingo, *19 de Maio*, às *15.30*, no Pavilhão do Conhecimento. *A* *entrada é gratuita*.
Venha conhecer os novos talentos da comunicação de ciência em Portugal e ajude-nos a escolher o nosso representante na final internacional, no /Cheltenham Science Festival/, Reino Unido.
Cada concorrente dispõe de apenas três minutos para demonstrar a sua capacidade de comunicar os mais diversos temas científicos, do sexo dos cangurus ao vinho do Porto, das nanotecnologias na saúde ao efeito da Lua no nosso dia-a-dia. Assista às apresentações e vote no seu favorito.
O Famelab é um concurso de comunicação científica para o grande público. Em Portugal, o Famelab é organizado pela Ciência Viva e pelo British Council.
Conheça os dez finalistas da 4.ª edição do Famelab Portugal aqui e aqui.
Confirme a sua presença aqui.
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Conversas ao fim da tarde
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De Rerum Natura
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O GOVERNO QUÂNTICO
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Carlos Fiolhais
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OS CEM ANOS DO “AHA” DE BOHR
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Carlos Fiolhais
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Universidade da expansão cultural e científica
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Carlos Fiolhais
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2013
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Angelo Miguel Pessoa Alves Alves
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O CÉU NAS PONTA DOS DEDOS
Recensão publicada na imprensa regional
Que estrela é aquela que brilha mais do que as outras? Porque é que algumas estrelas só se veem numa dada estação e a partir de uma dada hora? As estrelas também “nascem” e também se “põem” aparentemente como o nosso Sol? E aquele astro errante? É um planeta ou um satélite? Como é que sei orientar-me pelas estrelas para poder sonhar com viagens de descoberta?
Este último livro de Guilherme de Almeida é muito oportuno e, curiosamente, uma excelente introdução às suas obras anteriores, mais densas e específicas.
Ao longo de três capítulos, curtos quanto baste, Guilherme de Almeida acompanha e guia o leitor aprendiz, passo a passo, com a virtuosa e eloquente paciência dos mestres. No primeiro capítulo são introduzidos os elementos fundamentais que constroem a linguagem e referenciais da observação astronómica. O planisfério celeste é explicado no segundo capítulo. No terceiro, o autor exemplifica casos concretos e práticos para o uso do planisfério, as suas funções básicas, e aconselha, como se estivesse ao nosso lado a observar o céu, alguns procedimentos úteis para uma melhor observação astronómica a olho nu. Por fim, descreve as funções especiais ou avançadas do planisfério celeste, o que encoraja a evolução do principiante amador para o astrónomo disfrutante.
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António Piedade
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Labels: Astronomia, Guilherme de Almeida, Livros, livros. ciência
"Obreiro das letras"
Mais para finais de Maio faz cinquenta anos que morreu Aquilino Ribeiro, o escritor das Beiras, o escritor da prosa ardilosa, o escritor que dá palavra à alma do povo, o escrito não alinhado, o escritor rebelde, o escritor comprometido com o ideal... ou, tão simplesmente, e como ele dizia se si próprio, um "obreiro das letras".
(...) A hora corre nada propícia para a arte que não se subordina. Os interesses materiais sobrepõem-se aos interesses do espírito com uma tirania nunca vista. Esperemos que o género humano se salve ainda desta feita do cataclismo por mastodontização. Esperemos, por outra, que o logos, que é a racionalidade, volte a pairar sobre o caos.
Na noite em que cheio de confusão e pranto perfez a idade de Cristo, o servo de Deus teve um sonho. Uma voz branca e alada, de todo celeste, chamava-o ao juízo. Já que se tratava de prestar contas da sua alma, com ditosa agilidade, o estouvamento febril de quem não teme porque não deve - não lhe permitia Deus fazer milagres por um peneira velha, semear às rebatinhas nas dez léguas ao redor dos dons da graça, ser em vida adorado como santo? - desatou a pleitar inocência plenária, para se lhe abrirem de par em par as portas do Céu e adiantarem-se anjos, bem aventurados, ordens a recebê-lo solenemente debaixo do pátio. (...)
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Helena Damião
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Domingo, 12 de Maio de 2013
Nós e os outros
"Sabemos, de há longa data, que a humanidade está dividida em duas categorias: Nós, os melhores e os Outros, os menos bons. Todos os grupos, com efeito têm tendência a privilegiar os próprios membros e a depreciar os que deles não fazem parte."Jacques-Philipp-Leyens e Georges Schadron, 1980, 161.
Artigo: Porque discriminam mais os grupos que os indivíduos? categorização ou pretexto? In Revista Psicologia, 1, 2, pp 161-168.
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Helena Damião
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2013
Não digo versos...
Porque eu não saberia escrever uma nota melhor do aquela que António José Ferreira escreveu para assinalar o centenário do nascimento de João Henrique Pereira Villaret ou, como é conhecido, João Villaret, aqui reproduzo uma parte dela.
"A sua vocação para a arte de dizer e de representar manifesta-se nele desde tenra idade, mas não sem enfrentar algumas contrariedades.
A primeira desilusão surge quando a directora do Anglo-Portuguese College, Miss Price, decide não o integrar na récita do colégio por manifesta "falta de jeito para representar". O sentimento que o pequeno João nutria por Miss Price era recíproco, considerando-a "uma chata". Mas admirava, com veneração, outra professora, de seu nome Amália, que sentia por ele a mesma admiração. Chamava-lhe, com muita ternura, "Frei João sem cuidados". E talvez por essa empatia, essa mútua compreensão, Villaret lia de tal maneira "Os Lusíadas" que a docente ficava rendida e nem se atrevia a sugerir qualquer alteração.
Pelo precoce entendimento que tinha da poesia, e por se considerar a sua leitura tão exemplar, o jovem, quando frequentava o 3.º ano no Liceu Passos Manuel, era enviado para as salas do 7.º ano (actual 11.º ano de escolaridade) a ensinar os colegas como se devia ler o nosso grande épico. Quando se matriculou na Secção Teatral do Conservatório Nacional de Lisboa, em 1928, aos quinze anos de idade, ninguém previa que decorridos apenas três anos, na noite de 16 de Outubro de 1931, Villaret se estrearia profissionalmente no Teatro Nacional D. Maria II, integrado na Companhia de Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro, na reposição da peça "Leonor Teles", de Marcelino Mesquita. Assim se iniciava a gloriosa carreira do actor que, no entanto, não se confinaria ao drama e à alta comédia (Gil Vicente, Shakespeare, Molière, Almeida Garrett, Bernard Shaw, Eugene O'Neill, etc.). João Villaret também nutria um especial apreço pelo teatro de revista, onde se vem a estrear em 1941, suscitando o escândalo daqueles que consideravam o género uma arte menor (...)
Com uma sensibilidade invulgar e dotado de uma notável intensidade expressiva aliada a um inexcedível poder de comunicação, reabilitou a difícil arte de recitar poesia, prendendo a atenção do expectador, quer em sessões ao vivo (...), quer através da televisão (...).
Miguel Torga referiu-se-lhe nestes termos: «Nunca é demais agradecer a Villaret o que ele tem feito pela poesia. Os poetas devem-lhe uma espécie de requintada edição oral de alguns dos seus melhores versos; o público, esse resgata-se a ouvi-lo da preguiça que o afastava tragicamente dum convívio que nenhum oiro da terra pode suprir.»"
Ler mais aqui.
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Helena Damião
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Amplo o destaque, pobre a discussão
Texto na sequência deste.
Como os leitores bem sabem, os jornais em papel e online, bem como os rádio e telejornais têm dado amplo destaque aos exames nacionais de Português e de Matemática para o 4.º ano de escolaridade que se realizaram nesta semana e que têm uma certa ponderação na classificação final dos alunos.
Amplo o destaque mas pobre a discussão, polarizada, basicamente, em três aspectos: o stress das crianças, novas demais para saírem ilesas da situação; o caso único ou quase único de Portugal nesta insistência dos exames; e o regresso a um passado obscurantista e politicamente marcado.
(A imagem acima reproduzida, de que não consigo identificar a fonte, ilustra um texto onde esses aspectos são evidentes).
Entrevistam-se especialistas, que corroboram tudo isto; entrevistam-se representantes disto e daquilo que são da opinião dos especialistas; entrevistam-se pais e encarregados de educação, e pessoas de comuns que respondem de acordo com a formulação (orientada) das perguntas dos jornalistas...
Vi apenas duas mães (do Norte, se é que isso interessa) que tinham ido acompanhar os filhos ao transporte para a escola-sede trocarem as voltas a uma jornalista. "As senhoras concordam...?". E as senhoras, que sim, que os exames fazem parte do que a escola é... "E os vossos filhos não estavam nervosos de manhã?". E as senhoras, também que sim, mas que isso é normal, revela algum sentido de responsabilidade dos miúdos... Um delas, salientou que eles, mesmo pequenos, em certas coisas são mais capazes do que aquilo que os adultos pensam.
Não me apercebi de alguém ter perguntado se a realização de exames contribui para a aprendizagem (conheço estudos recente da psicologia e pedagogia cognitiva que indicam que sim), se um nível aceitável de ansiedade relacionado com o desempenho académico desde idades precoces é estruturante da personalidade (não conheço estudos, mas entendo que a pergunta é pertinente), se os exames escolares devem continuar a associar-se a opções políticas, de esquerda ou de direita (devo salientar que, se não são tratadas como coisas absolutamente distintas, devem passar a sê-lo)....
Teria sido importante que alguém fizesse perguntas de teor mais elaborado do que as que circularam a pessoas que sabem do assunto, que as deve haver no país.
E ainda haveria oportunidade para noticiar os incidentes ocorridos na rede escolar pública: as deslocações para a escola-sede de centenas de crianças, a vigilância das provas por professores externos a essa escola, as declarações de honra assinadas pelos alunos para não usarem telemóveis, a confusão das partes do teste antes ou depois do intervalo...
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Helena Damião
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ISTO NÃO É (SÓ) MATEMÁTICA
Recensão efectuada para a revista Papel
Editado pela QuidNovi, este livro rasga os cenários impossíveis e apresenta uma obra sui generis no panorama da divulgação científica escrita e desenhada originalmente em português. Sui generis, ou por outras palavras, única no seu género, pois os autores conseguem compaginar a divulgação acessível de conhecimento científico (com fórmulas matemáticas), com a ilustração na forma de cartoons e banda desenhada e com humor quanto baste para que o leitor não perca o fio à meada e lhe apeteça mesmo continuar a ler e ver.
O livro está escrito num tom coloquial, com uma linguagem do dia-a-dia, o que facilita muito a eficácia com que consegue comunicar com o leitor. Prende livremente o leitor ao livro. E o leitor leva o livro com ele.
«Se “Isto não é Matemática”, então o que é?» assim começa a introdução. Os autores desafiam o leitor a descobrir a resposta a esta pergunta logo no início da introdução. O convite dos autores é ainda mais provocador, sem ser pretensioso, ao sugerirem que o leitor se prepare para uma caminhada de “mochila às costas”, ao longo de dez capítulos, cujos títulos apelam à curiosidade como uma boa inspiração de ar puro no cimo de uma montanha (ou num prado verde, como queiram): 1.º Naturais, reais e algo surreais; 2.º Balanças, baloiços e criminosos; 3.º Coelhinhos, zangões e conspirações; 4.º O que é o quê?; 5.º Bem, mal ou assim-assim?; 6.º Vou ver-me grego?; 7.º Evolução, taxas de juro, montes de dados e átomos radioativos; 8.º De origens e índios; 9.º Um mundo cheio de riscos e setinhas; 10.º Somas, cobrinhas e parêntesis indecisos?
Nuno Markl não ficou indiferente a este livro, muito pelo contrário. Sim, o autor de “O Homem que mordeu o cão”, que diz odiar matemática, «apesar de nunca lhe ter virado as costas», não só leu o livro como é dele o prefácio onde diz que tem «pena que este livro não lhe tenha aparecido mais cedo» na sua vida. Para Markl, este livro conseguiu estabelecer-lhe «o elo perdido entre os meus (dele) professores de Matemática e a Samantha Fox». «Eles (os Aibéo) conseguiram dar uma estranha espécie de sex-appeal à Matemática mas, mais importante do que isso, são pessoas inteligentes que perceberam que pelo humor é que vamos. Eles lograram criar um sacana de um livro de Matemática que tem piada», acrescenta Nuno Markl.
Por fim, e já que este é o primeiro livro de divulgação de ciência de Alexandre Aibéo, o necessário agradecimento pelo feito e o voto nesta assembleia de leitores, em que me incluo, para que seja (só) isso: o primeiro.
António Piedade
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António Piedade
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AÇORDA DE MÃO NO BOLSO
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CABEÇA DE CEIFEIRO ALENTEJANO (1941) Dórdio Gomes (1890-1976)
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Nesses anos da minha infância, a fome nos campos do Alentejo era muita. Sem um quinhão de terra para cultivarem, as famílias viviam das magras e esporádicas jornas, ao sabor dos caprichos do Sol, das chuvas e das geadas.
Sem trabalho, os cifrões cresciam no livro dos fiados, na venda da aldeia, sem esperança de os ver reduzir ou apagar. Os homens, nunca as mulheres, acabavam por vir para a cidade, pedir esmola.
Vinham aos grupos de três ou quatro, não para se imporem pelo número, mas porque se envergonhavam e intimidavam se viessem sozinhos. Batiam-nos à porta, e tendo vindo abrir-lha, cumprimentavam de chapéu na mão e o que falava apenas dizia que não tinham trabalho e que precisavam de levar de comer para os filhos.
Voltando à cozinha, a chamar a minha mãe, dizia:
- Estão ali os trabalhadores do campo, a pedir!
Não lhes chamávamos pobrezinhos nem, muito menos, mendigos porque, de facto, não o pareciam nem eram. Tinham dignidade e majestade e, na resignação que mostravam, adivinhava-se a revolta dentro do peito. Pediam pão ou algum dinheiro para comprarem avio que levassem de volta para casa.
A minha mãe respeitava-os profundamente e dava-lhes o que podia, como se fossem irmãos. Sem que o dissesse abertamente, ensinou-me a amá-los. E, embora a vida fizesse mais de mim um menino, um rapaz e um homem da cidade, sempre me senti filho do campo e irmão dos camponeses.
Com eles, não só aprendi a olhar os homens e a natureza, como fiquei a saber o que é comer “pão com navalha”, uma forma muito expressiva de dizer pão sem conduto, e que “açorda de mão no bolso”, no seu sentido crítico pleno de humor, muito comum neste povo, significa que, não havendo na tijela mais do que o caldo e o pão migado, só se usava a mão que pegava na colher.
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De Rerum Natura
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SONHO
Poema publicado na revista Papel
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António Piedade
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Um grande poeta grego: Ares Alexandrou
Novo texto de Eugénio Lisboa:
No dia 29 de Setembro, na bela Livraria Buchholz, foi lançado, em língua portuguesa, em tradução de Amélia Muge, apoiada numa versão inglesa de Michales Loukovikas (que seguiu, de perto, todo o trabalho da cantora portuguesa), o livro O Ouro do Céu, dedicado ao poeta grego Ares Alexandrou. O livro inclui, a valorizà-lo, um CD, com a poesia de Alexandrou admiravelmente musicada por Michales.
Acompanhei, com todo o cuidado, o processo de tradução para português, a que se entregou, de alma e coração, Amélia Muge. E poucas vezes um poeta me “agrediu”, emocionalmente, com a força com que o fez o grande poeta grego.
Ares nasceu em Petrogrado (antes, S. Petersburgo e, depois, Leninegrado), em 1922, filho de pai grego e mãe russa. . De seu nome originário, Aristoteles Basileiades, mudou-se, com seus pais, para a Grécia, com apenas seis anos (1928). Residiram, inicialmente, em Tessalonica, e mudaram-se, pouco depois, para Atenas. Terminado o ensino secundário, fez, sem êxito, o exame de admissão à escola de engenharia, tendo, a seguir, sido admitido na universidade (Economia e Comércio). Em 1942, decidiu abandonar a universidade, dedicando-se ao ofício de tradutor. Ao mesmo tempo, juntou-se a um pequeno grupo de resistência aos nazis, que, por então, ocupavam a Grécia. Este pequeno grupo fazia parte integrante de um movimento de resistência da juventude comunista. Alexandrou, espírito fortemente independente, não conseguiu adaptar-se à rigidez da organização hierárquica do partido comunista e, em consequência disso, abandonou-o, poucos meses depois de nele ter entrado. Esta ruptura não impediu as autoridades britânicas, após a libertação da Grécia e da sua actuação no país, como governantes de facto, de o prenderem e mandarem para o campo de prisioneiros de El Tampa, onde permaneceu até Abril de 1945 (“Sou um traidor para Esparta para os hilotas espartano”, dirá num verso célebre de um poema também célebre: “A primeira pedra”).
A seguir, mesmo não tendo participado na subsequente guerra civil (1946 – 1949), foi preso por se ter recusado a repudiar as suas convicções políticas. De Julho de 1948 a Outubro de 1951, foi sucessivamente mandado para os campos de Moudros, Makronisos e Agios Efstratios. Em Novembro de 1952, foi submetido a Conselho de Guerra, por se ter recusado a ser recrutado para o serviço militar. A pena inicial foi de dez anos de prisão, cumprida nas prisões de Averof, Aighina e Gyaros. O painel de revisão viria a reduzir a pena para sete anos, tendo Ares sido posto em liberdade em 1958.
Depois de libertado, Alexandrou casou com Kaiti Drosou e, em 1967, para evitar serem presos pela Junta Militar no poder, foram viver para Paris. Ali morreria o poeta e romancista, em 1978, de um ataque de coração, tendo ainda visto, em 1975, a publicação do seu único romance (To Kiviótio, Atenas, 1975; em edição inglesa, de 1996: The Mission Box). Em 1978, publicaram-se os seus Poemas (1941 – 1974), em Atenas, e, em 1984, Dialexa (tradução, para grego, de uma miscelânea de poemas).
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Ares Alexandrou foi, essencialmente, um grande poeta, isto é, um homem apaixonado, antes de mais nada, pela linguagem: conhecendo-lhe os poderes, mas, também, os limites. Como todos os poetas, quero dizer, como todos os seres que trabalham, sobretudo, com palavras, embora trabalhem, igualmente, com ideias e com emoções – que as palavras tentam, algo incompetentemente, transmitir - , Alexandrou cedo deve ter-se apercebido de que vivia a manipular um instrumento de enorme delicadeza. Os poetas e os escritores, em geral, apercebem-se, cedo, de que as palavras fazem só o que podem e não podem tudo. Dizia o grande Joseph Conrad que “as palavras são grandes inimigas da realidade.” A afirmação talvez seja exagerada, mas a verdade é que há sempre algo do que observamos ou sentimos ou pensamos que fica além do poder que as palavras têm para o transmitir. Sente-se que elas são relativamente impotentes para darem toda a gama do inefável. No entanto, o poeta persiste na sua tentativa de realizar o impossível, de convir, até nós, toda a teia de emoções e ideias que o devoram. Era isto mesmo que T. S. Eliot pretendia sugerir-nos, ao dizer: “É estranho que as palavras sejam tão inadequadas / e, contudo, como o asmático lutando pelo fôlego / assim o amante deve lutar pelas palavras.” Portanto, entre o saber que as palavras são fracas, para o “grande desígnio” e a persistência, mesmo assim, no combate, servindo-se delas, vai o poeta movendo o seu rochedo de Sísifo. E o motor de arranque, para este combate sem garantias de vitória, é o próprio desespero, como observava Camus: “Se estiveres convencido do teu desespero, deves ou agir como se afinal tivesses esperança ou, então, suicidar-te.” (Carnets) A profundidade do desespero é, em alguns escritores, tão grande, que não têm remédio senão acreditarem no grande poder de agressão que as palavras possuem: “tu podes agredir as pessoas com as palavras”, dizia o romancista americano Scott Fitzgerald, que desceu ao fundo da angústia e da falta de esperança. Mas, mesmo quando a fé nas palavras é apenas relativa, o poeta ama a linguagem, como a sua única salvação e, por isso não consente em prostituir as palavras em causas duvidosas. É o uso da linguagem a sua principal fonte de felicidade, razão por que a preserva contra compromissos indecentes. Por isso, também, Alexandrou, fiel à poesia, logo, à linguagem, nos diz, no poema, significativamente intitulado “Palavras de ordem”:
O cérebro não é uma barba.
Não deixes os padres
os governantes
os controleiros
fazer-ta.
Poetas
de todos os países
desengajem-se."
O poema “Vê bem” dá-nos, com vigor, a “ars poetica” do escritor:
"Vê bem se tornas teus versos vertebrados
com as articulações encaixadas em palavras rudes, exactas.
Faz de modo que sejam extensões da realidade
tal como os dedos da mão a sua continuidade.
Só assim teus versos vão ser iguais à mão do doutor
reanimando à bofetada os que já desfaleceram
face aos seus rostos sem nada."
Ainda noutro poema – “O punhal” – o poeta dá-nos, com acuidade e precisão, o enorme esforço e paciência que são necessários para se encontrar as palavras mais adequadas, a linguagem mais eficaz.
Vimos o que foi a vida de “exilado” perpétuo de Ares Alexandrou, passando uma boa parte dela na prisão. Nunca bem aceite, nunca inserido: suspeito, à direita e à esquerda, aos conquistados e aos conquistadores, personalidade independente e íntegra que era.. Isso mesmo “diz”, num poema, em versos de fogo, que já citámos: “Sou um traidor para Esparta para os hilotas espartano.”
O exílio é talvez o tema fundador desta poesia. É um tema milenar, cantado, desde há muitos séculos, pelos poetas – se calhar, porque ser poeta é já uma forma de se viver exilado. Já o dramaturgo e poeta Eurípedes cantava essa ferida, em versos como estes: “Não há perda maior / do que a perda da terra natal.” No caso de Alexandrou, pode dizer-se que o exílio foi ainda mais devastador, porquanto não chegou nunca a ter um enraizamento original de que se arrancasse depois: ser um “outsider”, sem mesmo a melancolia de uma “perda” foi a sua condição permanente – um exílio, por assim dizer, de toda a normalidade da condição humana.
Vivendo, primeiro, uma guerra – mal saído da adolescência – depois, uma guerra civil e, sempre, uma obstinada perseguição, Alexandrou teve, como paisagens quotidianas, o exílio, o cerco e a morte ou a proximidade dela.
O poeta pergunta: “para que serve, afinal, todo este esforço?” À pergunta, escaldante, responde um poema, cujo título é a medalha dessa resposta: “Vais resistir” . Cito os últimos cinco versos:
" Aqui entre ruínas que foram semeadas com sal
queiras ou não vais continuar a andar
calculando a inclinação das superfícies
vais persistir serrando tu mesmo as rochas
queiras ou não o teu próprio lugar vais ter que achar. "
Isto é, mesmo que não acredites no resultado do esforço (Sísifo), mesmo que saibas ser o resultado de resistir uma acumulação de ruínas, mesmo assim, resiste e persiste. É esta a mensagem do poeta, herdeiro esbelto de Sísifo, com todo o panache que isso acarreta: dizer aos outros, aos menos fortes, que há outra vida, que não esta, de exílio, ruína e morte. “O poeta”, dizia Edith Sitwell, “fala a todos os homens dessa outra vida deles, que eles abafaram e esqueceram.” O poeta não a conheceu mas também não a esqueceu.
Poderíamos, pois, resumir a “sabedoria” deste grande poeta, nestas “palavras de ordem”:
- Se resistir não resolve, resiste.
- Se persistir não resulta, persiste.
- Se o mundo não faz sentido, faz de conta que faz.
Eugénio Lisboa
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De Rerum Natura
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Sobre o erro disse Huxley...
"O remorso crónico, e com isto todos os moralistas estão de acordo, é um sentimento bastante indesejável. Se considerais ter agido mal, arrependei-vos, corrigi os vosso erros na medida do possível e tentai conduzir-vos melhor na próxima vez. E não vos entregueis, sob nenhum pretexto, à meditação melancólica das vossas falhas. Rebolar no lodo não é, com certeza, a melhor maneira de alguém se lavar."Estas foram as primeiras linhas que Aldous Huxley escreveu no prefácio da edição de 1946 do Admirável Mundo Novo.
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Helena Damião
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Labels: Erro humano
Quinta-feira, 9 de Maio de 2013
QUESTÕES DOS ALUNOS DO 3.º A
E os alunos do 3.º A da Quinta das Flores mandaram-me algumas questões:
Olá somos a turma da escola EB1 Quinta das Flores - o 3.ºA - onde veio outro dia. Estamos a estudar os Astros e temos algumas dúvidas:
Porque é que o céu é azul?
De que cor é o Universo?
Porque é que os planetas são esféricos?
Porque é que o Plutão (planeta anão) orbita em sentido contrário dos outros planetas - sentido contrário aos ponteiros do relógio?
Posted by
Carlos Fiolhais
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