sexta-feira, 23 de setembro de 2011

DOIS SÓIS


Minha crónica no "Sol" de hoje:

Na semana em que o jornal Sol comemora cinco anos de vida, isto é, na data em que a Terra completou cinco voltas completas ao Sol desde que este semanário nasceu, foram publicadas notícias sobre a observação de um planeta que orbita dois sóis. Com efeito, uma equipa na NASA, a agência espacial norte-americana, anunciou que, pela primeira vez, se tinha observado um planeta que dá voltas não em torno de uma estrela, como acontece com a Terra, mas em torno de duas. O novo planeta, o Kepler 16-b, a cerca de 200 anos-luz do nosso sistema solar, foi detectado pelo observatório espacial Kepler, uma sonda em órbita terrestre, lançada em 2009 (o ano Darwin), para encontrar planetas extrasolares, onde a vida pudesse ter evoluído tal como aqui.

O fenómeno de um pôr-do-sol duplo só existia até agora no cinema. Na saga de George Lucas Guerra das Estrelas, os indígenas de Tatooine, o planeta natal da família Skywalker, assistiam a um tal espectáculo. Embora, ao contrário do Sol, a maior parte das estrelas seja binária, não é fácil encontrar planetas com órbitas estáveis em volta de estrelas desse tipo, pelo simples facto de esse chamado “problema de três corpos” conduzir, em geral, a órbitas que terminam numa colisão do planeta com uma das estrelas. Se Júpiter, o planeta maior do sistema solar, fosse muito maior do que aquilo que é, poder-se-ia ter acendido uma reacção termonuclear no seu interior que o transformasse numa estrela, companheira do Sol. Nesse caso, no nosso planeta não teriam ocorrido as condições de regularidade ao longo de muitos anos que são indispensáveis ao lento processo de evolução da vida, incluindo numa fase adiantada, a emergência de vida inteligente. Nós não estaríamos cá nem para ler jornais, nem para saber notícias de novos planetas no espaço.

O tempo que o novo planeta demora a dar uma volta completa em torno dos dois sóis é bem menor do que um ano: 229 dias. Mas, com toda a certeza, Kepler 16-b não tem habitantes que possam nem ver pores-do-sol nem contar o tempo, como os Tusken Raiders, o “povo das areias” que vive nos desertos de Tatooine. O planeta tem, à semelhança de Júpiter, uma superfície gasosa, onde evidentemente ninguém pode caminhar. Além disso, Kepler 16-b é demasiado frio para permitir a vida tal como a conhecemos aqui: a temperatura à sua superfície é de cerca de 100 graus Celsius abaixo de zero, já que as duas estrelas que aí reinam são mais pequenas e menos radiantes que o nosso astro-rei. Haverá outros planetas semelhantes? Provavelmente sim, já se prefiguram alguns candidatos a partir dos dados recolhidos pelos instrumentos da sonda. Um dos cientistas que trabalha esse manancial de dados previu mesmo que haja um número astronómico: "Eu aposto que há mais dois milhões"...

3 comentários:

  1. Caro Doutor Carlos Fiolhais, posto que em outro(s) planeta(s) cuja distância e órbita(s) flutuam supostas galáxias para tanto de distância e comprovação frente a este abismo que abriga e que ainda não atestem com outra densidade no espaço considerando-o que seja um vazio ou vácuo a que supostamente aplicam-se, infinitas órbitas que expandem, retraem ou estabilizam, contudo assim concorrendo, assimilada distância e desejo, posto que não seja suficiente para que afirmem ou, conquistem no rigor de vossa atenção qualquer presépio por especular. Apenas que reconhecendo o fascínio quando americanos aventuram-se por descobrir, mas, no curso dos acontecimentos cumpre o capricho e satisfação por apresentarem ao mundo imagens cujas possibilidades despertam no universo pelo anseio quão foram vossas conquistas de facto.

    Atenciosamente

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  2. 173 kelvin dá pra metabolismo da amónia para solvente
    é só aquecê-la um poucochinho

    isso dos Tatoines.....

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  3. isto é qué the FTL news of die tag....e indadizem quisto é um bloga da rara natura...

    if you just imagine two neutrino energy-momentum vectors that are exactly inverse to each other, one of them has the opposite sign of energy than the other and it goes backwards in time, so it looks like an antiparticle spinning in the opposite direction (in frames where the energy is positive) and it is therefore allowed by angular momentum conservation: the situation will look like a continuous world line of a single particle in a fixed frame, anyway.

    What is really relevant is a decay to vacuum with more than 2 external lines. For example, take a Z boson and two neutrinos. The Z-boson may compensate your violation of spin by one and the momenta may also add to zero if you allow negative-energy spacelike energy-momenta for the neutrinos. So this instability would still be there.

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