domingo, 25 de setembro de 2011

Como cães ou galos de luta

Como cães ou galos de luta, metidos numa jaula de rede, talvez para não ferirem a assistência, rodeados de publicidade e de adultos de olhar fixo, assim foram postas crianças a digladiarem-se.

Divulgou-se recentemente que isto se passava (ou passa?) neste primeiros anos do século XXI na velha Europa, mais precisamente na erudita Inglaterra.

Os adultos que se pronunciaram sobre o assunto parecem pessoas “normais”, daquelas que encontramos no nosso dia-a-dia: bem vestidas e arranjadas, bem falantes, gestos aceitáveis. Nada as denuncia.

As que assistem e instigam as crianças estão como se se tratasse de um vulgar jogo de futebol; os pais justificam a autorização de deixar os seus próprios filhos participar com argumentos "psicológicos" e “pedagógicos” que, possivelmente, registaram de programas de televisão para as famílias; os donos do clube onde tal aconteceu, obviamente que não lhes ficam atrás e mostram muita estranheza por algumas entidades responsáveis pela segurança na infância se indignarem com as imagens postas na grande paraça pública que é a internet; ao que li até a própria polícia local não vê bem onde estará uma razão para intervir.

É talvez a "banalidade do mal", mas parece-me que numa forma algo diferente daquela que H. Arendt viu.

10 comentários:

  1. Isso das personificações do mal

    não existe nem mal nem banalidade

    resume-se tudo a con veniências cult Urais

    assim massacrar infantes de 10 a 15 anos em guerras civis libertadoras ou limpar o sebo às crias de confessos terroristas em parte incerta

    é uma prática humana

    ou deixar dois miúdos a lutarem no recreio
    ou a snifarem cola é normal

    ou deixarem miúdas de 12 a 15 anos em acid houses e raves prolongadas

    obviamente dois putos a lutarem algures no século XXI é muito pior que pô-los a ganhar dinheiro nos Morangos com açúcar a jogar lesões
    no futebol juvenil
    ou a cantarem o bacalhau quer...

    Claro se eles andassem a coser botas a 1 euro e cinquenta por par ou a quebrar as costas nas bindimas era mais humano

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  2. Lá porque muitas outras coisas estão mal, não podemos deixar de nos indignar e de reclamar mudanças perantes situações como estas.

    A luta em questão era apenas uma demonstração. Talvez um teste à opinião pública antes de avançaram com a exploração das crianças a sério.

    Do que vi na TV, alguns pais não davam sequer nenhuns argumentos elaborados mas apenas diziam "ele gosta portanto eu deixo", dando uma impressão de total indiferença e/ou ignorância perante o que é do melhor interesse para os próprios filhos.

    Curioso esta notícia calhar na mesma altura em que em Espanha proibiram as touradas em Barcelona, em defesa dos direitos de animais com 500kg de peso e pele rija. Esperamos que no UK seja apenas uma questão de um buraco na lei e que as crianças possam ter rapidamente os mesmos direitos que os touros de Barcelona.

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  3. Anónimo tem razão quando exprime a esperança de ver as crianças a ter os mesmos direitos que os touros de Barcelona.
    É patético o desajustamento que se verifica na esquizofrenia do mundo dos nossos dias em que, muitas vezes, se discutem e reconhecem direitos aos animais e se desprezam as pessoas.
    Quanto à exploração das crianças (e dos adultos)é coisa pequena, desde que dê dinheiro.
    É o que os media e, com especial relevância, a televisão mostra e a prova de que a escravatura não está abolida no dito mundo civilizado.

    AJ

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  4. Francamente, lê-se cada uma. As crianças não podem praticar desporto? Os jovens machos adoram a luta. Ou será preferível metê-los numa redoma de vidro a fim de que vivam até aos 100 anos sem se machucarem? Se não for sob a forma de desporto, as crianças lutam à revelia dos adultos porque têm energia e gostam. Deixem as crianças divertirem-se e não chateiem. os adultos de hoje são cinquenta vezes mais chatos que os do tempo em que eu era criança. Que saudades desses tempos longínquos com adultos à distância.

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  5. Será um direito das crianças satisfazerem a sua agressividade natural através de desportos com alguma violência? Ou não têm esse direito e,portanto, só na clandestinidade podem dar curso ás suas energias?
    Não comparem com touros. O Direito é extensível a animais? Há coisas que dão vontade de rir. Vi uma espanhola na Tv a gritar que estava de preto porque ontem tinham morrido 6 touros. Ponho agora a minha imaginação a trabalhar. Que comeu ao almoço? Resposta: "costeleta de porco." Sua porca ordinária, assassinou um bacorinho. "Não foi outro que assassinou, eu só comi!!!!!
    Eu me confesso carnívoro... e assassino de moscas e outros insectos incomodativos. Mas parece que com insectos já não há solidariedade. Porquê?

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  6. O Direito é extensível aos animais? Claro que é. Eu sou empregado num restaurante de leitões da Bairrada. Há dias apareceu-me um porco com um livro do Professor Marcelo Rebelo de Sousa debaixo do braço. Qualquer dia temos contestação.
    Há muita hipocrisia: sirvo leitão (pobres criancinhas) a muita gente que depois vejo na Televisão e Jornais a falarem de direitos da bicharada. Verdadeiros aldrabões.

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  7. Que é que Arendt viu?
    O que me impressiona mais é pagar-se bilhete ou seja é um negócio. Qual é o cachet dos lutadores? E dos pais?

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  8. Aprende-se pouco a visitar blogues. Nunca saberei o que Arendt viu.

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  9. és um personagem curioso, Anónimo. Talvez daqui a alguns anos

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  10. Nenhum credito seria suficiente e a insuficiência nem seria o que ponteia .

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