sábado, 12 de maio de 2018

Deveria ter Liberato Baptista renunciado ao cargo de presidente da ADSE há mais tempo.

(Na imagem Liberato Baptista)

Meu artigo de opinião publicado hoje no "Jornal as Beiras" e distribuído  conjuntamente com o Semanário "Expresso":
“A velhice não se enjeita/Como se enjeita o lixo da calçada/País que os enjeita/Não é país, não é nada” (Zeca Afonso).
Segundo o jornal “Público” (01/05/2018), em chamada de 1.ª página, alegando motivos pessoais, pediu Liberato Baptista a demissão de presidente da ADSE. Dois dias depois, nesse mesmo jornal, igualmente, em chamada idêntica, lia-se: “Governo e beneficiários [da ADSE] querem esclarecer eventuais dúvidas sobre a gestão de Liberato Baptista”.
A propósito, detenho-me em seis artigos meus aqui publicados: o 1.º datado  de 05.11.2016 e o último de  05.04.2018, respectivamente, intitulados: “A ADSE e as gorduras do Estado” e “Sobre a ADSE ‘até que a voz me doa’”. Em todos eles fui critico impiedoso de medidas tomadas pelo Partido Socialista  em prejuízo  de cônjuges de beneficiários da ADSE
Para situar o leitor que, porventura, não tenha lido esses meus artigos, pese embora o facto da retroactividade das leis não merecer o consenso de destacados juristas, em síntese, o cerne deles residia no facto da ADSE, em ofício datado de 17/10/2016, com respaldo nos Decretos-Leis  números 118/83, de 25 de Fevereiro, e 234/2005, ter excluído  os, até à data, cônjuges de respectivos beneficiários com magérrimas reformas da Segurança Social despachando-os  de supetão, sem dó nem piedade, para um Serviço Nacional de Saúde em que uma simples consulta  pode demorar meses ou anos e uma cirurgia  chegar depois do doente ter falecido.
Entretanto, a ADSE, com a conivência ou, no mínimo, com a indiferença dos representantes dos seus  beneficiários,  dos sindicatos e do próprio Governo,  em medidas desfeitas hoje para voltarem a ser feitas amanhã, como diria Eça, “hesita, tataranha, amontoa, embaralha, e faz um pastel confuso que nem o Diabo lhe pega, ele que pega em tudo”. Ou seja, diabolicamente  pega ela naquilo que nem ele  pega! A título de exemplo, foi decidido por esta entidade  que quem optasse por se desvincular da ADSE não poderia tornar a  inscrever-se. Pouco tempo após, foi dado o dito por não dito ao arrepio da garantia de António Costa (RTP, 28/11/2017): “Palavra dada é palavra honrada”!
Outro exemplo, os indivíduos casados de direito expulsos da ADSE por usufruírem de magérrimas reformas da  Segurança Social, a troco de um contribuição a estipular, podiam voltar a beneficiar da ADSE desde que tivessem idade abaixo de 65 anos. Ou seja, num país em que o Presidente da República apela veementemente aos afectos, a exemplo de  Victor Hugo quando defendeu terem os velhos tanta necessidade de afectos como de sol, assiste-se a uma despudorada discriminação de idades superiores aquela.
Como sói dizer-se, poupando no farelo para gastar na farinha, para a ADSE a vida dos velhos, doentes e deficientes nada vale por ter passado a depender de contas de boçais merceeiros que não sobrecarreguem as algibeiras dos portugueses exauridas, isso sim!, por quantias escandalosas de milhares de milhões de euros por crimes de natureza económica  cometidos por  destacadas personagens  da vida nacional que são  manchetes, quase diárias,  de jornais portugueses  e estrangeiros!
Pelo regresso a uma época  em que “vemos novidades, diferentes em tudo da esperança” (Camões), a exclusão, como se fossem “lixo da calçada”, de idosos cônjuges de beneficiários da ADSE, muitos deles no ocaso da vida, que deveriam merecer o repúdio generalizado da população portuguesa por esta desumana medida do Partido Socialista. E o que vemos nós? De uma forma, que eu não desejaria generalizar, a genuflexão perante forças poderosas de cidadãos nacionais em face de leis mal feitas que, para Edmund Burke, constituem a pior forma de tirania!

2 comentários:

  1. Um abraço solidário ao Dr. Rui Baptista, por mais este esclarecido grito de revolta.

    Não me espantaria nada que um qualquer iluminado se lembrasse de acrescentar, na proposta de "lei da eutanásia", a comparticipação da ADSE, talvez até na totalidade, por morte medicamente assistida dos que toda a vida obrigatoriamente descontaram ...

    Carlos Sarmento

    ResponderEliminar
  2. Estou a preparar um post em resposta a este comentário, que muito agradeço.

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.