domingo, 24 de setembro de 2017

"Chamavam-me Bispo Vermelho..."


"Chamavam-me Bispo Vermelho porque ocupava espaços de onde a igreja nunca devia ter saído". 

A frase acima foi dita no ano passado, em entrevista da TSF, por D. Manuel Martins, o Bispo de Setúbal, o Bispo Vermelho. Tinha, na altura, oitenta e nove anos de idade.

Não nasceu em Setúbal, mas "nasceu bispo em Setúbal", nem era filiado no partido comunista, mas defendeu princípios que são alocados à esquerda.

Foi naquela cidade, quando percebeu a "fome do povo" e as razões dela, que ganhou a consciência de cidadania ("foi Setúbal que me fez") que se lhe reconhece e que manteve firme até hoje, dia da sua morte.

Quem assume a responsabilidade pela educação de alguém - independentemente de ser religioso, ateu ou agnóstico; de direita, centro ou esquerda - não pode ser indiferente a exemplos como os de D. Manuel Martins. São eles que, afinal, na desorientação em que essa consciência se encontra envolvida, podem indicar o rumo do bem-comum, o rumo verdadeiramente educativo, ou o rumo da liberdade.

Deixo o leitor com breves palavras de alguém que temos por dever moral manter na nossa memória colectiva.
Com a Constituinte, a situação melhorou. Mas, na minha pobre opinião, ainda não nos garantiu nem democracia, nem cidadania. E não por culpa sua. O Bem Comum não faz parte nem das preocupações dos nossos Políticos (honra a tantos que constituem a exceção), nem das Instituições legais criadas para o promoverem. Dói-me muito o mau curso da nossa Governação que (quase) só se preocupa com interesses pessoais, amiguistas ou de Partido. O nosso Parlamento, por vezes, mais me parece um campo de jogo de futebol, ainda por cima mal jogado, do que espaço sério e válido e de confiança onde se procuram as garantias mínimas para que a ninguém falte o pão de cada dia. Sente-se cada um em reflexão diante de um a um dos Direitos Humanos consignados na nossa Constituição (24-79) e ouse depois dizer alto o que pensa. Com humildade o confesso: nem a Igreja o tem feito. Em tempo de tanta injustiça que exige tanta pergunta, vamos, com dor, encontrando uma Igreja calada. Igreja que tem o seu altar no mundo e, como o seu Fundador, deve ser a mais provocadora da História.

sábado, 23 de setembro de 2017

PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS DE MANUEL MACHADO EM COIMBRA


Estamos em campanha eleitoral e é tempo de verificar se foram ou não cumpridas as promessas  dos políticos que se apresentaram há quatro anos e ganharam. O caso de Manuel Machado, actual presidente da Câmara Municipal de Coimbra eleito pelo PS e de novo candidato porque o PS não quis fazer uma avaliação do seu trabalho, é escandaloso. No programa de há quatro anos, que se intitulava "Valorizar Coimbra", um título que ele tem agora de repetir no seu programa  porque não valorizou o concelho (se tem de valorizar é porque não valorizou, ou não valorizou o suficiente) encontram-se, entre várias outras, estas promessas, que não foram cumpridas

p. 8

Investimento, iParque e comércio tradicional - NÃO CUMPRIU: NÃO HOUVE INVESTIMENTO SIGNIFICATIVO, O IPARQUE ESTÁ ABANDONADO, O COMÉRCIO TRADICIONAL CONTINUA A DEFINHAR

"Exemplificando, falemos de algumas políticas concretas que vão nesse sentido. Em primeiro lugar, em  cooperação com as associações empresariais, vamos contribuir para a criação de uma agência profissional  promotora do investimento e facilitadora da implementação de novas unidades industriais e de  serviços. Em segundo lugar, vamos ajudar na dinamização do iParque, tornando-o facilitador de novos  investimentos e apostando no acolhimento de Laboratórios de I&D e de empresas produtivas, designadamente  no campo das tecnologias da saúde. Em terceiro lugar, apoiaremos o comércio tradicional,  facilitando os processos de licenciamento e criando apoios de gestão profissionalizada. Dentro da  mesma lógica, abriremos um balcão único, dedicado a iniciativas empresariais no concelho, suscetível  de lhes facultar à partida o apoio de um gestor de iniciativa."

p. 9

Rio Mondego - NÃO CUMPRIU: A CIDADE ESTÁ DIVORCIADA DO RIO, O DESASSOREAMENTO NÃO SE FEZ E O PARQUE VERDE ESTÁ SEM VIDA.

"Promoveremos o desassoreamento da Albufeira do Açude-Ponte de  Coimbra e a recuperação das margens do Mondego, entre o Parque Verde e o Açude-Ponte. Lançaremos  ainda um projeto de Hortas Municipais, se possível em articulação com a ESAC, potenciando  assim a utilização de terrenos nas margens do Rio Mondego. Exigiremos do governo e das entidades  responsáveis pelas Matas do Choupal, da Geria, de Vale de Canas e do Paul de Arzila, a sua  rápida requalificação.

p. 9

Baixa e Via Central - NÃO CUMPRIU: A BAIXA CONTINUA EM RUÍNA E A VIA CENTRAL NÂAO FOI FEITA

Em consonância com outros aspetos do nosso programa, vamos valorizar, acompanhar e facilitar as
condições de reabilitação urbana, nomeadamente, ativando a ação da Sociedade de Reabilitação Urbana,  atribuindo à recuperação da Alta e Baixa da cidade um caráter prioritário nas políticas municipais.  Entre as ações específicas prioritárias mencionamos a concretização da Via Central (Av. Sá da Bandeira/  Bota a Baixo)."

CHUC - NÃO CUMPRIU. A CIRCULAÇÃO NOS CHUC CONTINUA MÁ E NÃO HÁ NOVO PARQUE  DE ESTACIONAMENTO

"Paralelamente, reordenaremos as lógicas de circulação e estacionamento nas  instalações do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra"

Metro Mondego  NÃO CUMPRIU: GASTARAM-SE 100 MILHÕES DE EUROS SEM FAZER O METRO. AGORA QUER POR AUTOCARROS EM VEZ DE METRO

"Como questão emblemática e estratégica a resolver, pugnaremos pela conclusão do projeto do Metro
Mondego, incluindo a sua vertente urbana, como meio essencial da mobilidade, quer no concelho de
Coimbra, quer nos da Lousã e de Miranda do Corvo, bem como pela imperiosa resposta a dar às populações  destes concelhos, prejudicadas pela desativação da linha da Lousã."


Estação Coimbra B  - NÃO CUMPRIU: A ESTAÇÃO DE COIMBRA B CONTINUA NA MESMA OU PIOR POR ESTAR MAIS VELHA (OS PASSAGEIROS CONTINUAM A PASSAR POR CIMA DAS LINHAS COM PERIGO DE VIDA)

"Retomaremos o projeto da Nova Estação Central de Coimbra, como espaço de interface entre todos os  meios de transporte, descongestionando a artéria central e organizando, finalmente, todos os transportes  públicos da cidade."

p. 11

Turismo - NÃO CUMPRIU: A SINALÉTICA CONTINUA IGUAL, O SITE DE INFORMAÇÃO TURÍSTICA DA CÂMARA NÃO TEM TRADUÇÃO E NÃO HÁ NENHUMAS NOVAS TECNOLOGIAS. PIOR: OS TURISTAS SÓ VÃO À UNIVERSIDADE E NÃO À BAIXA.

"Entre as medidas que neste campo nos propomos tomar merecem destaque, não só a melhoria da sinalética  mas também o aperfeiçoamento da pluralidade idiomática da informação turística existente
na cidade, bem como um melhor e mais eficaz uso das novas tecnologias no decorrer das experiências  turísticas dos visitantes."

p. 12

Participação  - NÃO CUMPRIU: OS CIDADÃOS ESTÃO AFASTADOS DA CÂMARA, NÃO HÁ QUAISQUER ORÇAMENTOS PARTICIPATIVOS

"Isto é, fomentaremos a participação efetiva dos cidadãos na gestão municipal,  numa lógica partilhada com a dos orçamentos participativos. Como um dos passos iniciais deste
caminho, criaremos um Gabinete do Munícipe, vocacionado para tornar Coimbra mais permeável ao
protagonismo quotidiano da sua população."

p. 12

Gestão  NÃO CUMPRIU : A GESTÃO CONTINUA CENTRADA NO PRESIDENTE, SENDO COMPLETAMENTE INEFICAZ

"A gestão municipal será mais eficiente, redesenhando a respetiva organização, inovando em métodos e  procedimentos. Serão aplicados novos modelos de gestão autárquica, recorrendo a tecnologias de última  geração, criando processos de atendimento de proximidade e descentralizando o acesso aos serviços  municipais.  Neste contexto, faz sentido promover a realização de um Plano Estratégico inovador, com um horizonte  de médio prazo (2013-2025), com base no qual se possa assumir um compromisso ético com  Coimbra, assente numa governação criativa, com formas ativas de cocriação no desenvolvimento de  ideias e no apoio à criatividade e à invenção."

Freguesias - NÃO CUMPRIU, A CÂMARA DISCRIMINOU NEGATIVAMENTE UMAS FREGUESIAS EM FAVOR DE OUTRAS

"No quadro desse compromisso, será reconhecida a diversidade identitária de Coimbra, olhando-se para  cada freguesia como única, sem deixar de vê-la como igual a todas as outras, de modo a tornar a gestão  de todas elas mais eficiente, garantindo a todas igualdade de tratamento."

Fiscalidade - NÃO CUMPRIU: AS TAXAS DE IMPOSTOS CONTINUAM ELEVADÍSSIMAS, DANDO LUCRO À  CÂMARA (HOUVE UM ENORME SUPERAVIT NÃO APLICADO)

"Na lógica deste tipo de governação autárquica, procuraremos criar um ambiente fiscal propício aos
munícipes. Nesse sentido, serão estudadas as possibilidades de, no contexto de um orçamento municipal  já com grande peso de encargos fixos, baixar os impostos, como o IMI, o IMT e as derramas  camarárias, bem como prescindir de metade da receita do IRS, a que o município por lei tem direito, a  favor dos cidadãos, aumentando desse modo o rendimento disponível das famílias e empresas."

FINALMENTE, TAMBÉM NÃO CUMPRIU:

"Para tornarmos mais fácil um juízo crítico sobre o nosso desempenho político autárquico, promoveremos  a criação de um Índice de Medida do Estado de Governação Autárquica, com indicadores objetivos  dos graus de execução dos compromissos assumidos."

Manuel Machado mandou retirar o link do seu programa de 2013, que esteve aqui

http://manuelmachadocoimbra.com/wp-content/uploads/2013/09/Compromisso-Eleitoral-Valorizar-Coimbra.pdf

Mas há memória: muita gente ficou com  cópia.


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Um livro de poemas fotográficos de uma médica portuguesa em Paris


Mês da Educação e da Ciência da Fundação Francisco Manuel dos Santos

Ciclo de Conferências
Mês da Educação e da Ciência
De 4 de Outubro a 20 de Novembro
Chegou o Mês da Educação da Fundação, este ano uma edição inédita que junta também a Ciência. A agenda inclui um programa de televisão - realizado na véspera do Dia Nacional do Professor, sobre a escola do futuro; um novo site com uma vasta análise à evolução dos resultados dos alunos portugueses nos testes PISA (online a partir de 18 de Outubro) e oito conferências de norte a sul do país. A partir de dia 4 de Outubro, grandes temas vão estar em debate por especialistas nacionais e internacionais: Nuccio Ordine, filósofo italiano, traz-nos uma reflexão sobre a importância dos saberes inúteis na formação dos alunos; Sir Martin Rees fala sobre o papel da Ciência no século XXI e Sarah-Jayne Blakemore desvenda os mistérios do cérebro adolescente. Conheça o programa completo e reserve já o seu lugar! A entrada é gratuita mediante inscrição prévia.
PROGRAMA
4 OUT 22h00 | RTP3
Fronteiras XXI: De que escola precisamos?
Com David Justino, ex-ministro da Educação, Maria Manuel Mota, directora executiva do Instituto de Medicina Molecular (IMM) de Lisboa e Joaquim Sousa, o director que deu a volta à escola básica do Curral das Freiras, uma das zonas mais pobres do país. Moderação de Carlos Daniel.
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
19 OUT 17h30 | Torre do Tombo, Lisboa
A utilidade dos saberes inúteis
Para que serve ler poesia ou ouvir música? Para que serve admirar uma obra de arte? O filósofo italiano Nuccio Ordine e a professora Regina Gouveia explicam porque a escola e a universidade não devem ser transformados em empresas e os alunos não podem ser considerados clientes se quisermos, enquanto sociedade, educar cidadãos justos, solidários e tolerantes.
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CONFERÊNCIA
25 OUT 14h30 | Grande Auditório da UAlg
Porque melhoraram os resultados dos alunos portugueses?
Uma análise da evolução do perfil e desempenho dos alunos e das razões do sucesso português: quem são os alunos que fazem o teste PISA? Porque melhoraram os seus resultados? Como se compara Portugal com outros países?
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DEBATE
30 OUT 15h00 | Auditório do Liceu Camões, Lisboa
Exames: como e para quê?
Os exames estão ciclicamente em discussão no nosso país. Mas passar-se-á algo semelhante noutros países? Como são os exames e em que momentos da vida escolar se fazem? Que relevância têm nos vários sistemas de ensino?
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CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
3 NOV 16h00 | Auditório do Instituto de Medicina Molecular, Lisboa
O cérebro adolescente
Afinal, como funciona o cérebro adolescente? Serão os adolescentes efectivamente mais impulsivos? Sarah-Jayne Blakemore, neurocientista de renome, desvenda os mistérios do cérebro adolescente com Maria Manuel Mota, cientista portuguesa.
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DEBATE
9 NOV 18h30 | Museu Nacional de História Natural e da Ciência, Lisboa
Ciência em Portugal: um diagnóstico
Quem faz Ciência em Portugal e em que condições? Quais são as principais carências? Quais deviam ser os principais objectivos no futuro a breve e médio prazo? Que obstáculos existem para atingir esse objectivo?
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CONFERÊNCIA
16 NOV 15h00 | Universidade do Minho, Braga
Ensino Superior: estudar compensa?
Em Portugal, houve, nas últimas décadas, uma enorme expansão do ensino superior, quer no número de alunos, quer no número de instituições. Mas será que vale a pena investir – intelectual e financeiramente – num curso superior? E, por outro lado, será que a sociedade rentabiliza o investimento que faz na maioria dos licenciados?
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CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
17 NOV 18h00 | Galeria da Biodiversidade, Universidade do Porto
A Ciência no século XXI: oportunidades e ameaças
Que papel vai desempenhar a ciência no futuro? Quais são as principais oportunidades e perigos? Que relações são necessárias entre ciência e sociedade?
Sir Martin Rees, astrofísico e astrónomo Real, conversa com Alexandre Quintanilha e Nuno C. Santos.
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CONFERÊNCIA
20 NOV 15h00 | Observatório Astronómico de Lisboa
Ciência portuguesa pelo mundo
Quantos são e onde estão os cientistas Portugueses espalhados pelo mundo? Quem são e em que áreas de investigação trabalham? O evento assinala o primeiro aniversário da rede GPS-Global Portuguese Scientists e conta com a intervenção do Presidente da República.
Inscreva-se aqui                                         

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Congresso SciCom 2017

O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra organizará, pela primeira vez na cidade de Coimbra, o Congresso da Rede de Comunicação de Ciência e Tecnologia de Portugal. O congresso decorrerá nos dias 12-13 de Outubro de 2017 no Pólo I da Universidade com a sessão de encerramento no Museu da Ciência.

O 5º congresso SciComPT tem como tema principal os OBJECTOS DA CIÊNCIA: que questões se levantam na sua relação com o público, quais as possíveis interações com áreas da comunicação científica não museológicas, e como promovem a comunicação da ciência.

Uma lupa, uma rocha, um teorema, um para-raios, um fóssil, um acelerador de partículas, uma semente, uma lâmpada, um livro: os objetos da ciência são usados pelos cientistas e servem a ciência. Os museus colecionam e organizam estes objetos, preservando a memória, revelando a história da ciência, e integrando os objetos e a própria ciência na cultura das sociedades.

O Congresso ocorre em sessões com diversos formatos como painéis de debate, sessões práticas e sessões inversas, comunicações orais e posters digitais. Este congresso com um número crescente de participantes conta com a presença dos comunicadores de ciência que actuam a nível nacional nas mais variadas plataformas e áreas de produção de ciência.

Este ano será disponibilizado um espaço para uma “Mostra de Ciência” onde os grupos de investigação interessados poderão apresentar e divulgar os seus trabalhos de comunicação de ciência. A Mostra irá acontecer nos dias do congresso (durante os intervalos da manhã e da tarde) no átrio do R/C do Departamento de Física da Universidade de Coimbra. As instituições que quiserem participar nesta mostra devem manifestar interesse junto de António Piedade através do email antoniopiedade2011@gmail.com.

As inscrições para o congresso encontram-se abertas através do sitehttp://scicom.pt/index.php/scicompt-2017/


Estamos nas redes sociais no facebook (https://www.facebook.com/CongressoSciComPT/) e no twitter (https://twitter.com/scicomPT)

VISTO DE COIMBRA: OS JESUÍTAS ENTRE PORTUGAL E O MUNDO


PORTUGAL CATÓLICO




OBRA ESPECIAL oferecida dia 20 de setembro, em Roma, ao Papa Francisco

Portugal Católico: A Beleza na Diversidade

No próximo dia 20 de setembro, uma obra concebida para assinalar a visita do Papa Francisco a Portugal, editada com especial cuidado gráfico e com a participação de especialistas, investigadores e intelectuais de vários quadrantes, a obra Portugal Católico, vai ser oferecida em audiência, em Roma, ao Sumo Pontífice. O Senhor Reitor da Universidade Aberta preparou uma mensagem especial que acompanhará esta obra, a ser entregue ao Papa Francisco, na manhã de quarta-feira. Na véspera, dia 19, às 18h00, no Instituto Português de Santo António, em Roma, decorrerá uma sessão especial de apresentação à comunidade portuguesa, sessão que conta com o apoio da Embaixada Portuguesa junto da Santa Sé. 

O exemplar único e especial desta obra, editada pelo Círculo de Leitores/Temas e Debates, que alguns já consideraram a “Capela Sistina da Edição Portuguesa”,  foi preparada no âmbito da Cátedra Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização (CIDH-Universidade Aberta/CLEPUL-Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) e do Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes (IECCPMA), em cooperação com professores de vários centros de investigação da Universidade de Coimbra, bem como de outras universidades portuguesas. É de assinalar o facto de a obra se constituir como o primeiro resultado do projeto intitulado Portugal Religioso e Espiritual (Cultura, Arte e Património), também promovido pela CIDH (da Universidade Aberta), o qual terá uma sequência de outros volumes, dedicados, nomeadamente, ao Portugal Judeu, ao Portugal Islâmico, ao Portugal Protestante, etc.

Portugal Católico: A Beleza na Diversidade, que teve o mecenato especial e pessoal de Alexandre Soares dos Santos, e o apoio da Conferência Episcopal Portuguesa, da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, da Fundação Calouste Gulbenkian, da União das Misericórdias Portuguesas e da Santa Casa da Misericórdia do Porto, foi uma obra elaborada de forma intensa e em tempo recorde (em sete meses, sensivelmente). Reúne 204 textos-síntese, de 190 autores, intercalados com uma forte componente imagética, constituída por fotografias (aéreas e terrestres) e gravuras, e um conjunto de poemas de grandes autores portugueses, distribuídos por 14 capítulos.Simbolicamente, o número 14 representa as 14 estações da Via Sacra e as 14 Obras de Misericórdia.

Esta obra de dimensão monumental é inaugurada com textos do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Cardeal Patriarca de Lisboa e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, e conta com a participação das mais diversas figuras da cultura, da ciência e da sociedade portuguesas, tais como Eduardo Lourenço, Guilherme d’Oliveira Martins, Pedro Mexia, Adriano Moreira, José Manuel Pureza, José Mattoso, Artur Santos Silva, Carlos Fiolhais, João César das Neves, Rui Vieira Nery, Manuel Barbosa, José Pedro Paiva, José Leite Abreu, Henrique Manuel Pereira, José Cordeiro, José Carlos Miranda, Daniel Serrão, Henrique Leitão, Francisco Senra Coelho, Vasco Pinto Magalhães, João Relvão Caetano, José Porfírio, Manuel Braga da Cruz, José Carlos Seabra Pereira, Gonçalo Portocarrero, Leonor Xavier, Jaime Nogueira Pinto, Jorge Wemans, João Seabra, Manuela Silva, Vítor Serrão, entre outras.

O projeto inicial teve por referência um recente livro francês intitulado La France Catholique (Paris, Éditions Michel Lafon, 2015), de Jean Sévilla. Ao longo de sete meses, a obra portuguesa, sob a direção de José Eduardo Franco e José Carlos Seabra Pereira, ganhou uma identidade própria, afirmando um âmbito muito mais amplo e profundo em relação à obra francesa, apostando mais no conteúdo e na diversidade de temas, e incluindo uma publicação infanto-juvenil e um spot de divulgação. O resultado de cerca de 800 páginas acaba por apresentar uma radiografia abrangente da Igreja Católica e constituir-se como uma espécie de dicionário enciclopédico do catolicismo contemporâneo português.

Não estamos perante uma obra que pretenda ser a voz oficial da instituição eclesial na linha da clássica expressão apologética. Esta obra traduz-se, isso sim, num fundamentado e aliciante quadro da condição do catolicismo em Portugal, pondo em evidência as múltiplas óticas, facetas e dinâmicas da comunidade católica e da sua Igreja.

Optou-se, neste projeto, pela leitura da diversidade encontrada no panorama do catolicismo português, perpassando a história, e, sempre que possível, evidenciando o contexto atual de cada uma das temáticas tratadas. Abordam-se temas do âmbito da teologia, da pastoral, do eclesial, da medicina, da política, da justiça, da sociedade, do ambiente, da música, da arte, da comunicação social, do turismo, da educação, da solidariedade, do desporto, entre outros. Salienta-se ainda um aspeto de particular significado: a participação das comunidades judaica e islâmica. Na tela de fundo, esteve sempre a opção pela evidência da Beleza na Diversidade, que sustenta todas as temáticas. A beleza na diversidade, além de estar presente nos múltiplos assuntos considerados, está patente na multiplicidade de pensamento dos autores que colaboraram na obra.

Desde a sua origem, este projeto privilegiou dois públicos: Sua Santidade, o Papa Francisco, que receberá um exemplar único da obra, no marco importante da sua vinda a Portugal, e o grande público, dos mais variados quadrantes socioculturais, crentes e não crentes. Para o público em geral, a obra será lançada numa edição especial do Círculo de Leitores, em novembro de 2017, e, posteriormente, numa edição corrente, em abril de 2018.

A Obra Portugal Católico em apresentação no youtube:


Fonte: Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes (IECCPMA)
Praceta João XXI, 17, 1.º esq. - 2775-711 Carcavelos
Contactos - tlm.: 969 977 702 - 961 088 814 / email: ieccpma@gmail.com

REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DA GEOLOGIA NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO

Novo post de Galopim de Carvalho:

Num país, como Portugal, onde a investigação científica e o ensino superior da Geologia estão ao nível dos que caracterizam os países mais avançados, é confrangedor assistir:

- à total iliteracia neste domínio do conhecimento da quase totalidade dos portugueses, incluindo os das classes sociais ditas cultas;

- à mesma iliteracia na generalidade dos governantes e demais decisores políticos;

- à pouquíssima importância, nos ensinos básico e secundário, deste mesmo domínio científico, essencial como motor de desenvolvimento, mas também como componente da formação cultural do cidadão.


De há muito que venho alertando, em textos escritos e em conversas públicas, para a pouca importância dada ao ensino da Geologia nas nossas escolas dos ensinos básico e secundário. Isto porque, em minha opinião, quem decide sobre o maior ou menor interesse das matérias curriculares, parece desconhecer que a geologia e as tecnologias com ela relacionadas estão entre os principais pilares sobre os quais assentam a sociedade moderna, o progresso social e o bem-estar da humanidade.

As minhas repetidas e insistentes diligências junto dos sucessivos governantes, no sentido de inverter esta deplorável situação, a última das quais dirigida ao actual Sectário de Estado da Educação, Prof. João Marques da Costa (Doutorado em Linguística), continuam sem resposta. O que é desesperante e lamentável.

Exceptuando aqueles que, por formação académica e profissional, possuem os indispensáveis conhecimentos deste interessante e útil ramo da ciência, a generalidade dos nossos ministros, secretários de estado, deputados e presidentes de autarquias não conhecem nem a natureza, nem a história do chão que pisam e no qual assentam as fundações dos edifícios onde vivem e trabalham. Uns mais, outros menos, sabem o que neste território se passou desde o tempo em que o primeiro humano o pisou, milhares de anos atrás, mas muitíssimo pouco ou nada sabem sobre os milhões de anos de história deste torrão que é o nosso.

Não sabem que o lioz, ou seja, a pedra calcária usada na cantaria e na estatuária de Lisboa e arredores, nasceu num mar de há cerca de 95 milhões de anos (Ma), muito pouco profundo e de águas mais quentes do que as que hoje banham as nossas praias no pino do verão. Não sabem que o basalto das velhas calçadas da capital brotou, como lava incandescente, de vulcões que aqui existiram há uns 70 Ma, nem que o granito, a pedra que integra o belo barroco da cidade invicta, tem mais de 300 Ma. Não imaginam que o Tejo já desaguou mais a Sul, por uma série de canais entrançados, numa larga planura entre a Caparica e a Aldeia do Meco. Não sabem que a serra de Sintra é o que resta de uma montanha bem mais imponente e ignoram que, por pouco, não rebentou ali, há uns 85 Ma, um grande vulcão.

Marcados por um ensino livresco, tantas vezes desinteressante e fastidioso, são muitos os que, enquanto estudantes, frequentaram Geologia e que, terminada esta fase das suas vidas, atiraram para o caixote do esquecimento o pouco que lhes foi ministrado sem entusiasmo nem beleza.

É o que se passou com a generalidade dos nossos adultos, sejam eles juristas, economistas, militares ou marinheiros, poetas, romancistas ou jornalistas, vendedores de automóveis ou jogadores de futebol. Não sabem que grande parte do Ribatejo e do Alto Alentejo foi uma área lacustre e pantanosa há poucas dezenas de milhões de anos, que tivemos aqui períodos de frio glacial, como, por exemplo, o da Islândia, e de calor  húmido tropical, como o das Caraíbas. Ninguém lhes explicou o que significam, quando e como surgiram e evoluíram as serras de Portugal. Ignoram porque é que há mármores em Estremoz, sienitos nefelínicos em Monchique, areias brancas em Coina e em Rio Maior, pirites em Aljustrel, volfrâmio na Panasqueira, urânio na Urgeiriça, lítio em Montalegre e caulino na Senhora da Hora. Desconhecem porque é que se fala do Barrocal algarvio, das Rias Formosa e de Aveiro, das Portas de Ródão, do estuário e do gargalo do Tejo, dos barros de Beja, da livraria do Mondego, da Arriba Fóssil da Caparica, da “planície alentejana” ou do “Norte montanhoso”.

Sabem dizer granito, basalto, mármore, calcário, xisto, barro, quartzo, mica, feldspato, petróleo, gás natural e carvão-de-pedra, mas ignoram a origem, a natureza e o significado destes materiais como  “palavras”  do “livro” que conta a longa história da Terra.

Para além do seu interesse utilitário na procura, exploração e gestão racional de matérias-primas minerais metálicas e não metálicas indispensáveis no mundo actual, a Geologia ensina-nos, ainda, a encontrar águas subterrâneas e recursos energéticos, como são o carvão, o petróleo, o gás natural e o calor geotérmico.

Essencial no estudo da natureza dos terrenos sobre os quais temos de implantar grandes obras de engenharia (pontes, barragens, aeroportos), ou desenvolvemos a agricultura, a Geologia dispõe ainda dos conhecimentos necessários à prevenção face aos riscos vulcânico e sísmico, à defesa do ambiente natural numa política de desenvolvimento sustentado, à preservação do nosso património mais antigo, além de nos dar resposta a muitas preocupações de carácter filosófico.


É, pois, preciso e urgente olhar para esta realidade do nosso ensino. É preciso e urgente que o Ministério da Educação chame a si meia dúzia de professores desta disciplina capazes de proceder à necessária e profunda revisão de tudo o que se relacione com o ensino desta área curricular, a começar nos programas, passando pelos livros e outros manuais adoptados, pela formulação dos questionários nos chamados pontos de exame e, a terminar, na conveniente formação dos respectivos professores.

Importantes páginas da longuíssima e complexa história da Terra, conservadas nas rochas, estão à disposição dos professores e dos alunos nos terrenos que rodeiam as suas escolas. Conhecer esses terrenos e os processos geológicos aí envolvidos, desperta a curiosidade dos alunos, abrindo-lhes as portas não só ao conhecimento da sua região, como aos da geologia em geral. Tais conhecimentos, mais sentidos e interiorizados do que, simplesmente, decorados para debitar em provas de avaliação, conferem dimensão cultural a esta disciplina, formam cidadãos mais conscientes da sua posição na sociedade e defensores activos do nosso património natural.

À semelhança de um velho pergaminho, de um achado arqueológico, ou de uma ruína, as rochas, com os seus minerais e os seus fósseis, são documentos que a geologia ensina a ler e a interpretar.

Se há matérias que têm características passíveis de serem ministradas numa política de regionalização do ensino e que muito conviria considerar, a Geologia satisfaz esta condição.

Portugal, de Norte a Sul e nas Ilhas, dispõe de uma variedade de terrenos que cobrem uma grande parte do tempo geológico, desde o Pré-câmbrico, com mil milhões de anos, aos tempos recentes. No que se refere à diversidade litológica, o território nacional exibe uma variedade imensa de tipos de rochas, entre ígneas, metamórficas e sedimentares e, no que diz respeito aos minerais, o número de espécies aqui representadas é, igualmente, muito grande, e o número de minas espalhadas pelo território e hoje abandonadas ultrapassa a centena.

Temos, muito bem documentadas, as duas últimas grandes convulsões orogénicas. A Orogenia Hercínica ou Varisca, que aqui edificou parte da vasta e imponente cadeia de montanhas de há mais de 300 Ma e hoje quase completamente arrasada pela erosão, e a Orogenia Alpina que, nas últimas dezenas de milhões de anos, entre outras manifestações, elevou o maciço da Serra da Estrela, à semelhança de uma tecla de piano que se levanta acima das outras, e dobrou o espectacular anticlinal tombado para Sul, representado pela serra da Arrábida.

Podemos mostrar aos nossos alunos muitas e variadas estruturas tectónicas, como dobras, falhas, cavalgamentos e carreamentos. Temos à nossa disposição múltiplos aspectos de vulcanismo activo e adormecido (nos Açores) e extinto, de um passado recente (na Madeira, há 7 Ma, e Porto Santo, há 14 Ma) e antigo de cerca de 70 Ma, entre Lisboa e Mafra. Temos fósseis de todos os grandes grupos sistemáticos e de todas épocas. Temos dinossáurios em quantidade e algumas das pistas com pegadas destes animais entre as mais importantes da Europa e do mundo.

Tudo isto para dizer que, no ensino da Geologia, para além de um conjunto de bases gerais consideradas essenciais e comuns a todas as escolas do país, as do ensino secundário, deveriam ministrar um complemento criteriosamente escolhido sobre a geologia da região onde se inserem.

Assim e a título de exemplo, as escolas das regiões autónomas, aproveitando as condições especiais que a natureza lhes oferece, deveriam privilegiar o ensino da geologia própria das regiões vulcânicas, incluindo a geomorfologia, a petrografia, a mineralogia, a geotermia  e a sismicidade (estas duas, nos Açores). Do mesmo modo, o citado vulcanismo extinto, entre Lisboa e Mafra, o maciço subvulcânico de Sintra (possivelmente um lacólito), o mar tropical pouco profundo que aqui existiu, durante uma parte do período Cretácico, deveriam ser objecto de estudo dos alunos da “Grande Lisboa”.

Os exemplos são muitos e cobrem todo o território. O termalismo em Chaves, São Pedro do Sul e em muitas outras localidades, os vestígios de glaciações deixados nas serras da Estrela e do Gerês, o complexo metamórfico e os granitos da foz do Douro, os “grés” de Silves, os quartzitos da Livraria do Mondego e a discordância angular da Praia do Telheiro (Vila do Bispo) deveriam constar dos programas das escolas das redondezas.

Estes e muitos outros exemplos reforçam a ideia da possibilidade de uma adequada informação sobre a geologia regional a complementar um bem pensado programa de base comum a todas as escolas.

Imenso e tido por inabarcável, ao tempo dos descobrimentos marítimos, o nosso Planeta começa a dar preocupantes sinais de agressão já evidentes na poluição do ar que respiramos, da água dos mares e da que bebemos e, ainda, dos solos onde, é bom não esquecer, radica toda a cadeia alimentar que nos sustenta.

Apesar de ínfima no contexto da biodiversidade, esta criatura, a última de uma linhagem evolutiva de milhares de milhões de anos, a que foi dado o nome de Homo sapiens, só por si e desde o advento da Revolução Industrial (finais do século XVIII, começos do XIX), tem vindo a atentar, a ritmo exponencial, contra o meio físico que a todos rodeia, atingindo, no presente, níveis alarmantes que justificam, entre outras reuniões internacionais, a COP 21 que, em 2015, teve lugar em Paris.

Na sociedade de desenvolvimento, tantas vezes descurando os bem conhecidos preceitos de sustentabilidade, privatizam-se os benefícios da produção e distribui-se pelos cidadãos a subsequente poluição. À desenfreada procura de lucro de uns poucos, tem de opor-se a necessária cultura científica por parte dos restantes cidadãos. E a Escola tem, forçosamente, que fornecer essa cultura em articulação harmoniosa e inteligente com os saberes de outras disciplinas. Não o molho de definições que (salvo honrosas excepções) tem sido a sua praxis.

Sendo certo que a capacidade de intervenção de cada indivíduo, como elemento consciente da Sociedade, está na razão directa das suas convenientes informação e formação científicas, importa, pois, incrementá-las. E incrementá-las é facultar-lhe correctamente o acesso aos conhecimentos que, constantemente, a ciência nos revela. Sendo a geologia a disciplina científica que nos fornece todos conhecimentos atrás apontados, é fulcral atribuir-lhe, ao nível da Escola, a importância que, realmente, tem.

Galopim de Carvalho