quinta-feira, 4 de julho de 2013

SER ESPIRITUAL


É, decerto, polémico, ao querer cruzar espiritualidade e ciência, o livro "Ser espiritual. Da evidência à ciência", de Luís Portela, ex responsável pela Bial, que a Gradiva acaba de publicar. Por amabilidade do editor, publicamos o texto introdutório do autor, que enquadra a obra:

 Perspetiva espiritual (à guisa de introdução)

 Sempre pensei que gostaria de escrever no âmbito da espiritualidade, partilhando os ensinamentos que foram chegando até mim e que absorvi. Ainda jovem, admitia que até cerca dos quarenta anos deveria focar-me sobretudo em aprender, começando depois a escrever.

 Após perto de duas décadas intensamente dedicadas à vida profissional e à família, surgiu, de facto, a oportunidade de começar a escrever em jornais e revistas, bem como, mais tarde, compilar em livros alguns desses textos. Habituei-me a escrever ao fim de semana e sempre o fiz por prazer e com prazer, nunca beneficiando materialmente desse meu exercício.

Ao ultrapassar os sessenta anos, procurei criar condições para escrever algo mais profundo e a meu gosto. Ocorrendo- -me, então, que uma das obras cuja leitura mais me marcou foi O Livro do Caminho Perfeito de Lao Tsé, ponderei como seria interessante explanar o que este autor gostaria de transmitir hoje: criar como que «Um Novo Livro do Caminho Perfeito». E seria possível fazê-lo em sintonia com os ensinamentos de Buda e de Jesus? Talvez pudesse escrever sobre algo que, de alguma forma, fosse comum ao pensamento desses Mestres.

 Penso que esses três grandes pensadores — entre outros — procuraram alertar o Homem para a necessidade de focar a atenção no essencial de si mesmo, como partícula do Todo Universal em evolução no planeta Terra. Não os perspetivo como fundadores de religiões, mas como seres já muito evoluídos que deixaram importantes mensagens de esclarecimento espiritual.

 Embora essas mensagens tenham sido marcantes para a Humanidade, foram sendo deturpadas por alguns dos seus seguidores, que aglutinaram em torno delas uma panóplia de mitos, superstições, mistérios, tabus, rituais e formas de negócio que nada têm que ver com as mensagens de esclarecimento e que trouxeram grande confusão, situações incríveis, descrédito e desorientação. Veja-se, por exemplo, que alguns dos sistemas que se dizem seguidores de seres de uma enorme simplicidade acumularam grandes pecúlios materiais, e são hoje das instituições mais ricas à superfície da Terra. Aparentemente, a Humanidade tem feito uma grande progressão no domínio tecnológico, mas, mantendo-se embriagada com a exploração material e distraída com um mar de futilidades, tem deixado para segundo plano a descoberta do espiritual. O ter tem-se sobreposto ao ser. E, recentemente, parece que já nem faz falta ter, basta parecer. Tendo assumido a ilusão tal dimensão, afigura-se oportuno lembrar a essência das mensagens dos Mestres, procurando recentrar o Homem no âmago do ser. Foi o que procurei fazer nas páginas seguintes, cruzando os saberes tradicionais com os resultados de investigação científica recente; também sintetizando ideias e alguns textos já por mim apresentados noutras alturas. Desejo que o leitor tenha muito prazer na sua leitura e que dela resulte algo útil para si. Nesse sentido, sugiro um prévio despojamento de conceitos e preconceitos, uma grande abertura a uma perspetiva diferente dos conhecimentos tradicionalmente aceites pela cultura vigente. Ou seja, uma real abertura do leitor a perspetivar o Universo a partir do seu eu espiritual.

Agradeço aos meus amigos Fernando Lopes da Silva, Maria de Sousa, Mário Cláudio, Mário Simões e Rui Mota Cardoso os preciosos contributos para melhorar o conteúdo das próximas páginas, apesar de — em alguns casos — não concordarem ou, pelo menos, não perfilharem os meus pontos de vista.

 (... seguem-se oa agradecimentos mais pessoais)."

Luís Portela

7 comentários:

  1. Ainda não li mas é por certo um Livro a não perdder. E a aprender com Luís Portela.

    ResponderEliminar
  2. Gosto deste tema! Especialmente por trazer e trás à tona a realidade configurada do ser humano. Tem uma expressão interessante: diga com quem andas e direi quem és... Ora, entre tantas ocasiões que traçamos rotas?! Eis que a rota caminha-se.

    É bem verdade que toda surpresa tende a ser um agrado inesperado, claro, quando espera-se o melhor ao ente querido. E, neste cercear de ações diárias, dia desses presenciei o inusitado. De um amigo superar os passos e correr.

    Esta simples atividade "caminhar" é um marco histórico da humanidade. Desde que o homem aventurou-se evolutivamente que a discussão é presente ao estudo de gerações, cada qual em seu tempo. Do tempo da presença humana da terra, entre existências diferenciadas, atesta a ciência o que também, resolve-se da característica de genes; influenciada obviamente pela questão da: sobrevivência, vivencia e convivência na disseminação deste conteúdo de completude. Dentro deste aspecto notável e bom simplesmente notado para além de histórico seria o conhecimento, de quando este traga-nos (tragar, absorver).

    Digo é perceptível a humanidade elevar-se, pertencer de sentido ao abraço acolhedor do sublime, donde estamos ou com quem estamos?! Outrora o sentido apontara de escolha própria, entre querer aprender ou aprender de fato; mas, sob este ponto quem escolhe-nos é a vida. Anterior a qualquer escolha a vida, acolheu-nos da escolha ao sublime.

    Ontem no lar de retiro aos mais experientes, presenciei um ser humano correr quando caminhara com apoio. Estava presente a espiritualidade!

    ResponderEliminar
  3. É interessante neste mometum tão dificil que estamos a viver, e em que tomamos atitudes tão selvagens, pensar nestas tematicas!!!!!!

    Quanto ao que a Claudia refere! Se calhar!!!! ou não????

    augusto

    ResponderEliminar
  4. Há um problema com este livro.

    O autor, personalidade pública, reconhecida e associada à principal indústria farmacêutica portuguesa, tenta aproximar as suas crenças, legítimas, sobre a reincarnação, a vida para além da morte, a telepatia, etc, a uma base científica das mesmas.

    Contudo, não apresenta qualquer facto científico credível sobre as mesmas, apesar das inúmeras citações e referências que faz ao longo do livro. Até porque não os há.

    Cita alguns estudos ditos científicos, mas não cita, como deveria pela sua formação científica, citar outros estudos de facto científicos que explicam as bases biológicas dos sintomas e experiências relatadas por pessoas que estiveram em situação próxima da morte.

    Para os mais desatentos e menos informados, é um livro que estende o tapete à pseudociência, abrindo-lhe portas.

    A credibilidade científica que o próprio autor e a editora Gradiva possuem, pode dar azo a que muitos assumam como factual e verdadeira a tentativa de corroboração científica da espiritualidade que o autor defende com a sua opinião, como disse legítima.

    Há de facto uma dimensão espiritual no ser humano, que é transversal a todas as civilizações e à história da humanidade. Mas ela não é objecto de estudo da ciência. Luís Portela faz com este seu livro um apelo à comunidade científica para que observe, se aproxime, com o seu método experimental científico e moderno, as diversas, segundo ele, manifestações dessa espiritualidade.

    Este livro, no contexto em que vem formatado, é um caso sério. A projecção que a figura do seu autor e a Gradiva lhe emprestam vai fazer correr muita tinta, e pode dar novos argumentos aos defensores das pseudociências. Até breve.

    ResponderEliminar
  5. Estou de acordo com o António Piedade, cuja breve análise vai ao encontro das minhas preocupações relativamente ao livro, isto é, que passe por ciência o que não é.

    É com agrado que tomei conhecimento que este livro não está inserido na coleção "Ciência Aberta" da Gradiva.

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.