terça-feira, 29 de março de 2011

GRANDES ERROS: NUVEM RADIOACTIVA CHEGA A PORTUGAL


O "Correio da Manhã" de hoje titula hoje na primeira página "Nuvem radioactiva chega a Portugal", afirmando que "foram detectadas" partículas radioactivas nos céus dos Açores. A notícia tem um pequeno problema: não foram detectadas nenhumas partículas! A nova "onda de medo" foi criada a partir de uma informação de um investigador da Universidade dos Açores, que fez um cálculo - uma modelação computacional com uma enorme margem de incerteza - do espalhamento de partículas do ar do Japão dizendo aquilo que ele e toda a gente minimamente informada já sabia: que há circulação do ar no planeta. Portanto, é possível e até provável que uma ou outra partícula radioactiva apareça na alta atmosfera em qualquer sítio do mundo. Podem vir de Fukushima, ou podem vir de testes nucleares, ou podem até ser absolutamente naturais. Do mesmo modo, é não só possível como provável que eu esteja a respirar neste preciso momento uma molécula de dióxido de carbono do último bafo de Júlio César depois de dizer, na versão de Shakespeare, "Et tu Brute?" (sim, já alguém fez as contas, que são muito mais simples e precisas que as do modelo açoriano!). E depois?

Hoje de manhã bebi leite dos Açores e comi torradas com manteiga açoriana a vou continuar a fazê-lo tranquilamente. As notícias sobre a nuvem radioactiva nos Açores são um completo disparate: os comentários feitos on-line por alguns leitores sobre o brilho de Pauleta no escuro não passam de piadas de humor negro, ou, se quisermos. de mau gosto, pois Pauleta brilha mesmo sem ser no escuro.

3 comentários:

  1. Os jornalistas exibem grande ignorância e falta de rigor. Há uma quantidade de notícias que são assim: o que interessa é alarmar para atrair atenções, o rigor que se lixe. Qualquer foto do Japãp ou de qualquer sítio ou frase com odor a escândalo serve para primeira página.

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  2. É o mau jornalismo no seu pior. Não chegava a desonestidade das afirmações relativamente ao Açores, ainda se esticaram para dizer que a "nuvem" radioactiva "chega a Portugal".

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  3. Como não tenho conta, sou anónimo (Pedro A. C. Ferreira) açoriano.
    Acho estranho que além de críticar a notícia também ridicularize o trabalho científico de outros, sem conhecer o modelo. Ao que sei, o que foi dito é que o modelo previa a chegada de partículas em "quantidades vestigiais", sem qualquer efeito na saúde. Afinal não há uma enorme margem de incerteza no modelo que diz que não há problema, mas chega radioactividade do Japão. Confirmou-se ontem, aquilo que as suas simples contas também devem dizer, mas pelo ITN, mais precisas e simples.
    Opinião é opinião, mas argumentar com profundidade e seriedade e sem soberba, é importante, como refere na sua nota de comentário.

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