Os maus sentimentos
Como tem sido habitual, transcrevemos a crónica semanal do médico psiquiatra José Luís Pio de Abreu no "Destak":
É próprio da natureza humana que os bons sentimentos sejam efémeros e molengos, enquanto os maus duram e mobilizam. Quem alcança um desejado bem fica alegre por algum tempo, mas logo quer mais e mais. Mesmo que a alegria seja contagiante, esse efeito é fugaz. É bem possível que essa insatisfação básica do ser humano o tenha levado a conseguir o que já conseguiu: o impossível.
Ao contrário, os maus sentimentos perduram. A inveja, o ódio, o ciúme, o rancor, o ressentimento podem dirigir as acções de uma vida inteira. E mobilizam tanto mais quanto os seus detentores se negam a aceitá-los, que é o mais frequente. Neste caso, basta que se lhes apresente alguém a quem odiar para que logo exprimam a sua raiva que asseveram justificada. É por isso que os maus sentimentos são explosivamente contagiantes.
Quem acorda a sua raiva sente-se vivo de novo, nem que seja para encetar um ciclo destrutivo. A raiva gera destruição que, por sua vez, gera raiva em círculo vicioso. E todos exultam por se sentirem vivos. Quer isto dizer que a raiva tem procura e é, por isso, um valor de mercado.
É sabido que a raiva e a acusação gratuita semeiam o desastre. Mas que importa, se têm audiência? Dão pouco trabalho e pagam-se bem. É por isso que se perfilam tantos acusadores nos meios de comunicação social, e que alguns jornalistas competem por ser o Grande Acusador. É apenas por isso. Desenganem-se aqueles que pensam que é por razões pessoais.
J.L. Pio Abreu

Olá chamo-me Sara Leal,
ResponderEliminarInfelizmente sinto muitas vezes raiva. Tenho vergonha desse sentimento. Mas é mais forte do que eu. Domina-me. Acho difícil combatê-lo, vencê-lo. Sei que me prejudica fisicamente e emocionalmente. Estou a tentar lutar contra ele mas o mundo exterior não ajuda. Sei que há muitas pessoas que têm este problema e que fazem muitas asneiras devido a ele. É muito complicado lidar com este problema.